Voz ativa ou passiva: qual usar?
Use a voz ativa por padrão, porque ela diz quem fez o quê. Use a passiva quando quem age é desconhecido, irrelevante ou óbvio, ou quando o que sofre a ação é o que interessa ao leitor. A passiva só vira problema quando esconde quem é o responsável.
Qual é a diferença
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação: “O auditor encontrou três erros.” Na voz passiva, o sujeito sofre a ação: “Três erros foram encontrados pelo auditor”, ou só “Foram encontrados três erros.”
Quase toda língua tem um jeito de fazer isso, embora nem sempre com a mesma gramática. O português usa “ser” com particípio ou a partícula “se” (“encontraram-se três erros”); outras línguas usam um verbo reflexivo ou um sujeito indeterminado. A pergunta por trás é a mesma em todo lugar: a frase diz quem agiu, e faz dele o sujeito?
Por que a ativa é o padrão
O leitor procura duas coisas numa frase: quem agiu, e o que fez. A voz ativa faz de quem age o sujeito, e o leitor o encontra primeiro. A passiva tira quem age desse lugar, mais para dentro da frase, ou o apaga de vez, e o leitor precisa deduzir ou adivinhar.
A decisão de adiar o lançamento foi tomada depois que foram levantadas preocupações sobre os resultados dos testes.
Adiamos o lançamento porque a equipe de testes levantou preocupações sobre os resultados.
A segunda versão quase não é mais curta, mas responde às perguntas que o leitor faria em seguida: quem decidiu, e quem levantou as preocupações. Também fica mais fácil de responder.
Quando a passiva é a escolha certa
A passiva não é um erro. É uma ferramenta para mover a atenção, e é a escolha honesta em quatro situações:
- Quem agiu é desconhecido. “A janela foi quebrada durante a noite.” Você não sabe quem foi, e inventar alguém seria pior.
- Quem agiu não importa. “As amostras foram armazenadas a 4 °C.” O leitor precisa da temperatura, não do nome do técnico do laboratório.
- Quem agiu é óbvio. “Ela foi eleita em 2019.” Eleitores elegem pessoas; dizer isso não acrescenta nada.
- O que sofre a ação é o assunto. Num parágrafo sobre um contrato, “O contrato foi assinado na sexta” mantém o contrato na frente, onde a atenção do leitor já está.
Textos científicos e jurídicos usam muito a passiva por esses motivos, e os leitores dessas áreas esperam por ela. Em algumas línguas, como o indonésio e o malaio, a passiva é comum também nos textos do dia a dia; lá, os quatro testes acima importam mais do que qualquer regra padrão.
Quando vira problema
A passiva vira problema quando esconde uma responsabilidade que o leitor precisa conhecer. “Erros foram cometidos” é o exemplo clássico: admite que algo deu errado sem dizer quem errou, e normalmente foi escrito assim justamente por isso.
O mesmo acontece sem querer em textos de trabalho. “A nota fiscal será enviada na semana que vem” parece ótimo até a nota não chegar e ninguém saber de quem era a tarefa. Se a frase fala de uma tarefa, uma decisão ou um erro, o leitor quase sempre precisa de um nome. Outras construções escondem quem agiu do mesmo jeito: “houve erros”, “decidiu-se” ou um sujeito indeterminado.
Como passar da passiva para a ativa
- Encontre quem age: pergunte quem de fato fez aquilo. Muitas vezes ele se esconde num “por …” no fim da frase.
- Transforme essa pessoa no sujeito e coloque-a no começo.
- Passe o verbo para a forma ativa e confira se a frase continua dizendo a mesma coisa.
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Se você não encontrar quem age, ou se nomear alguém induzir ao erro, mantenha a passiva. Isso é o teste funcionando, não falhando.
Uma checagem rápida antes de enviar
Percorra o rascunho atrás de frases montadas com “foi”, “foram”, “tem sido” ou “será” mais uma ação, e também pela passiva com “se” (“decidiu-se adiar”) e pelo sujeito indeterminado (“resolveram adiar”), que escondem quem agiu do mesmo jeito, sem nenhum “por …” para denunciar. Para cada uma, pergunte se o leitor precisa saber quem age. Se precisar, reescreva. Se não, deixe como está.
Se quiser uma segunda versão para comparar, selecione a frase no Private Writing Assistant, clique em Reescrever e escolha Natural ou Profissional. Você recebe uma nova redação com as mudanças destacadas, no idioma em que escreveu, e decide o que manter. Nosso post sobre o tamanho certo de uma frase trata do outro motivo comum para uma frase ser difícil de ler.
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