Como revisar seu próprio texto?

Revise em leituras separadas, cada uma procurando um tipo de problema, e mude a aparência do texto antes da última, para parar de ler o que você quis escrever. Quatro leituras curtas levam poucos minutos num e-mail e pegam muito mais do que uma única leitura lenta e cuidadosa.

Por que uma leitura cuidadosa não basta

Quando você relê o próprio texto, já sabe o que ele deveria dizer. A memória preenche a palavra que falta, pula a que está repetida e disfarça o erro de digitação antes que os olhos percebam. Ler mais devagar ajuda menos do que parece. Ler de outro jeito ajuda muito.

A solução é dar uma única tarefa a cada leitura. Ninguém consegue avaliar o argumento, o ritmo e a ortografia de um texto ao mesmo tempo, então faça uma coisa de cada vez, do maior problema para o menor. Não adianta polir uma frase que você vai apagar.

Leitura 1: a ideia principal está clara?

Leia só a primeira frase de cada parágrafo. Juntas, elas devem contar a história toda. Se o seu pedido principal está no final, leve-o para o começo. Se um parágrafo não tem uma primeira frase clara, provavelmente também não tem um objetivo claro.

Antes

Oi, Paulo, espero que sua semana esteja indo bem. Dei uma olhada nos números do último trimestre e conversei com a Priscila sobre eles. Tem algumas coisas que precisamos ver antes da reunião de sexta. Você pode me mandar a previsão atualizada até quinta?

Depois

Oi, Paulo, você pode me mandar a previsão atualizada até quinta? Quero revisá-la com a Priscila antes da reunião de sexta, porque os números do último trimestre levantaram algumas dúvidas.

Mesmos fatos, mesma educação. A segunda versão só deixa o Paulo saber do que você precisa antes de ele decidir se continua lendo.

Leitura 2: cada frase merece estar ali?

Vá frase por frase e pergunte: o que o leitor perderia sem esta? Corte aberturas que anunciam em vez de dizer (“Só queria entrar em contato para avisar que…”), frases que repetem a anterior com outras palavras e ressalvas que enfraquecem algo que você realmente quer dizer.

Esta também é a leitura da ordem. Se o leitor precisa de um fato para entender uma frase, o fato tem que vir antes.

Leitura 3: soa bem em voz alta?

Leia o texto em voz alta, ou pelo menos mexa os lábios. O ouvido pega o que o olho perdoa: uma frase longa demais para dizer num fôlego só, três frases seguidas que começam do mesmo jeito, uma palavra que você nunca usaria numa conversa. Onde você tropeçar, o leitor também vai tropeçar.

Leitura 4: ortografia, gramática e os detalhes

Agora olhe a superfície, mas antes deixe o texto com cara de desconhecido. Mude a fonte ou o tamanho, cole em outra janela ou leia no celular. Um layout novo quebra a memória do que você escreveu, e você passa a ver o que realmente está lá. Depois confira:

O que um corretor faz, e o que não faz

Um corretor foi feito para a quarta leitura. Ele não cansa, não sabe o que você quis dizer e dá à última frase a mesma atenção que à primeira. É exatamente o que você não consegue fazer com o próprio texto.

Ele não faz as três primeiras leituras por você. Não vai dizer que o seu pedido está enterrado no terceiro parágrafo ou que uma frase não acrescenta nada. Então faça você mesmo as leituras de sentido e de fluidez, e deixe a última para o corretor. De bônus, você só corrige a ortografia das frases que sobreviveram aos cortes.

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